São Paulo, 21 de outubro de 2017

  Blogs | PIB de 2016 foi um “museu de grandes novidades...”

Publicado por: Renato Intakli
Categoria: Economia

O IBGE divulgou hoje pela manhã o PIB do 4º trimestre de 2016, que apresentou contração de -0,9% na passagem do 3º tri/16 para o 4º tri/16, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro encolheu -2,5%, levando o PIB brasileiro a R$ 6,3 trilhões, em valores correntes no acumulado em 2016.

Em relação as nossas projeções, na comparação com o tri imediatamente anterior, o resultado foi de contração mais intensa, dado que esperávamos recuo de 0,4%, ajustado sazonalmente. Na comparação com o mesmo tri do ano anterior, o resultado também foi marginalmente inferior ao esperado, dado que projetávamos recuo de 2,2% neste modo de comparação.

Veja os detalhes da abertura das principais variáveis do PIB na tabela abaixo:

 

Período

PIB

Agropecuária

Indústria

Serviços

FBCF

Consumo das Famílias

Consumo Governo

4T16/3T16 (%)

-0,9

1,0

-0,7

-0,8

-1,6

-0,6

0,1

4T16/4T15 (%)

-2,5

-5,0

-2,4

-2,4

-5,4

-2,9

-0,1

Acum. 4 Tri. (%)

-3,6

-6,6

-3,8

-2,7

-10,2

-4,2

-0,6

Valores Correntes 4T16 (R$)

1,63 tri

52,9 bi

299 bi

1,06 tri

255 bi

1,04 tri

369 bi

 

A taxa de Investimento (FBCF/PIB) neste 4º trimestre ficou em 15,6%, recuando em relação ao mesmo período do ano anterior quando havia registrado 16,7%. Em 2016 a taxa de investimento foi de 16,4%, também reduzindo-se em relação ao ano anterior, quando havia registrado 18,1%. De maneira análoga, a taxa de Poupança em relação ao PIB recuou, de 11,3% para 11,1% na comparação trimestral. Já em 2016, a taxa foi de 13,9%, -0,6p.p. em relação ao ano anterior. Veja o release do IBGE na íntegra clicando aqui.

Na comparação com o 3º trimestre de 2016, na ótica da oferta, o PIB da Agropecuária avançou 1,0%, a indústria contraiu 0,7% e os serviços retrocederam 0,8%.

No PIB Industrial, o setor da indústria Extrativa mineral contribuiu positivamente, avançando 0,7%, em função do avanço da extração de petróleo e gás natural. Por outro lado, recuaram a indústria de Transformação (-1,0%) e a Construção (-2,3%), enquanto a Atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana recuou (-0,1%), de maneira mais branda. No PIB de Serviços todos os setores recuaram, sendo por magnitude: serviços de informação (-2,1%), transporte, armazenagem e correio (-2,0%), comércio (-1,2%), outros serviços (-0,9%), intermediação financeira e seguros (-0,7%), administração, saúde e educação pública (-0,6%) e atividades imobiliárias (-0,2%).

Pela ótica do Consumo, a formação bruta de capital fixo permaneceu em território negativo (-1,6%) após o resultado recuar 2,6% neste modo de comparação no tri passado, conforme esperávamos, dada a elevada ociosidade na economia e a valorização do Real frente ao Dólar. O Consumo das famílias (-0,6%) apresentou sua 8ª retração. No que tange o Consumo do governo, este apresentou praticamente estabilidade (0,1%). Por sua vez, no setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,8%, e as importações de bens e serviços avançaram 3,2%.

Na comparação com o 4º tri do ano passado, na ótica da oferta, o PIB da agropecuária retraiu 5,0%, enquanto a Indústria e Serviços recuaram ambos 2,4%.

Na indústria, destacaram-se negativamente a indústria da Transformação (-2,4%), a Construção Civil (-7,5%), enquanto a Extrativa Mineral cresceu 4,0%, puxada pela extração de petróleo e gás, e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana avançou 2,4%.

Já em Serviços, as atividades que apresentaram contração foram Transporte, armazenagem e correio (-7,5%), o Comércio (-3,5%), Intermediação financeira e seguros (-3,4%), Serviços de Informação (-3,0%), Outros Serviços (-2,6%), Administração, saúde e educação pública (-0,7%), enquanto Atividades Imobiliárias permaneceram praticamente estáveis (0,1%).

Na ótica da despesa, todos os componentes da demanda doméstica recuaram pela 7ª vez consecutiva. A formação bruta de capital fixo recuou 5,4%, a despesa de consumo das famílias -2,9% e a despesa de consumo do governo -0,1%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços tombou 7,6%, enquanto as importações de bens e serviços retraíram 1,1%, o primeiro influenciado pela valorização do Real, já o segundo devido a fraca demanda interna.

No acumulado em 2016, os resultados que levaram à queda de 3,6% do PIB foram: Agropecuária (-6,6%), Indústria (-3,8%) e Serviços (-2,7%). O recuo do PIB da Agropecuária foi decorrente do desempenho da agricultura, especialmente milho, soja e cana-de-açúcar, veja nossa nota do PIB agro para mais detalhes. No PIB industrial, o destaque positivo foi da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que avançou 4,7% em relação a 2015. A indústria de transformação teve queda de 5,2% no ano, influenciada pelo péssimo desempenho das industrias de maquinas e equipamentos, automotiva, produtos de metal, alimentos e bebidas, móveis e metalurgia. Ao passo que a Construção encerrou o ano com recuo de 5,2%, enquanto que a extrativa mineral retrocedeu 2,9%, devido à menor extração de minérios ferrosos.

Com relação ao PIB de Serviços, Transporte, armazenagem e correio tombou 7,1%, seguido por comércio (-6,3%), outros serviços (-3,1%), serviços de informação (-3,0%) e intermediação financeira e seguros (-2,8%). As atividades imobiliárias cresceram 0,2%, enquanto que a administração, saúde e educação públicas (-0,1%) ficou estável comparado com 2015.

Na ótica do dispêndio, a FBCF (-10,2%) recuou pelo 3º ano consecutivo, explicado pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, em um ambiente com elevada ociosidade da capacidade instalada. O Consumo das famílias retraiu 4,2% em relação a 2015, influenciado pela deterioração do emprego e renda ao longo de todo o ano de 2016, juntamente com crédito ainda restritivo e juros alto, num ambiente de desalavancagem do setor privado. Já o Consumo do governo recuou 0,6%, após recuo de 1,1% em 2015.

No setor externo, as exportações de bens e serviços avançaram 1,9%, enquanto as importações de bens e serviços tombaram 10,3%.

Conforme destacamos ao longo do ano de 2016, veríamos uma contribuição menos intensa do setor externo devido à valorização cambial ocorrida desde meados do 1º tri daquele ano. Não à toa, os bolsões de dinamismo criados em alguns setores da economia em virtude da desvalorização cambial já se enfraqueceram, o que dificulta a rota de fuga do fundo do poço da atividade econômica.

 

“O resultado do PIB de 2016 revelou-se um museu de grandes novidades, ou seja, nada diferente daquilo que temos dito, sem surpresas. O que esperamos daqui para frente é que a atividade apresente taxas negativas cada vez menores. De tal sorte, esperamos que o PIB retorne ao território positivo na comparação interanual no 2º tri de 2017. Para este ano de 2017, nossa expectativa é de crescimento de 0,5%, com retomada mais intensa em meados do 2º semestre.”

 

Acreditamos que ao fim do 3º tri deste ano o processo de desalavancagem do setor privado estará menos intenso, possibilitando a retomada da demanda, mesmo que ainda incipiente. Até meados desse ano a tendência de queda na renda dos trabalhadores, permanecerá devido a distensão do mercado de trabalho. Simultaneamente, o crédito tende a permanecer restritivo. Estes fatores tendem a deprimir a demanda, e em meio a um ambiente com elevada ociosidade da capacidade instalada será difícil observamos uma retomada muito pujante da economia ainda este ano.

Relatório oferecido pela Diretoria de Pesquisa Econômica da SUCESU em parceria com a Parallaxis Economia & Ciências de Dados | parallaxis.com.br - Av. Paulista, 1159 – Cj. 1004 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Renato Intakli, Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

 

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores mobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.

  Últimos Blogs